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# 3.6.1 Tríades

O acorde mais simples é a tríade, sendo esta formada por três alturas (ou notas): a tónica, também denominada de fundamental, a terceira (mediante) e a quinta (dominante). Se considerarmos a tríade de Dó Maior, composta por \[C, E, G], quaisquer outras disposições destas três notas, por exemplo \[E, G, C] ou \[G, C, E], constituirá um tipo tríade em Dó. Se for a nota fundamental a encontrar-se na voz mais baixa, a tríade encontra-se no estado fundamental. Se for qualquer outra nota do acorde a ocupar a voz mais baixa, o acorde encontra-se numa inversão.

É o intervalo formando entre a tónica e a mediante que dá a qualidade à tríade: se o intervalo for diminuto, menor, maior ou aumentado a tríade ou acorde, será também diminuto, menor, maior ou aumentado, respetivamente.

<figure><img src="/files/zc80p8HmbIFXPFxL0BOL" alt="Figura 3.8. Tríades em Dó Maior."><figcaption><p>Figura 3.8. Tríades em Dó Maior.</p></figcaption></figure>

<figure><img src="/files/tKGEAnfasjLJnK6ND3x2" alt="Figura 3.9. Tríades em Dó Maior e as suas duas inversões."><figcaption><p>Figura 3.9. Tríades em Dó Maior e as suas duas inversões.</p></figcaption></figure>

A Figura 3.10 apresenta as sete tríades possíveis de formar a partir de cada um dos graus da escala de Fá Maior, cujas notas de cada uma das tríades pertencem exclusivamente à tonalidade de Fá Maior (notas diatónicas).

O processo de construir tríades, ou acordes de sétima, em cada um dos graus de uma escala, denomina-se de harmonização da escala. Empilhando notas em intervalos de terceira na escala maior obtêm-se três tríades maiores, três menores e uma diminuta. Como todas as escalas maiores partilham a mesma sequência interna de tons e meios-tons, estas tríades estarão sempre presentes em qualquer escala maior.

<figure><img src="/files/CFDTJg2Ld4nNoOWLFn3m" alt="Figura 3.10. Tríades construídas a partir de cada um dos graus da escala de Fá Maior."><figcaption><p>Figura 3.10. Tríades construídas a partir de cada um dos graus da escala de Fá Maior.</p></figcaption></figure>

As tríades que foram obtidas podem ser identificadas pelo número romano correspondente ao grau da tónica. Esta simbologia nasceu na Europa no período entre aproximadamente a segunda metade do século XVII e o final do século XIX e talvez esta notação seja uma das mais importantes que foram criadas neste período permitindo uma análise mais independente e funcional da harmonia. Independente e funcional pois a sua notação não depende de uma tonalidade específica. Este número romano é capitalizado de forma maiúscula se a tríade for maior ou de forma minúscula se for menor.

Adicionalmente, se o acorde não se encontrar no seu estado fundamental, isto é, se estiver invertido, dois números árabes são colocados do lado direito e na vertical relativamente ao numeral romano de modo a indicar qual a inversão usada. Devido à variedade de escalas que existem, podem-se obter ainda tríades aumentadas (+) ou diminutas (o), como é o caso da tríade formada a partir do 7 das escalas maiores.

A cifra no topo dos dois exemplos anteriores indica qual a nota fundamental da tríade (tónica) e caso esta esteja invertida é adicionada uma barra oblíqua que indica qual a nota mais grave.

Em harmonia, a posição é caracterizada pela proximidade das várias vozes relativamente umas às outras, dando origem a posições fechadas e posições abertas. Também os acordes podem encontrar-se numa destas duas posições. Estas são caracterizadas pelo espaço vertical que existem entre as vozes e que permitem colocar (aberta), ou não (fechada), mais notas pertencentes ao acorde.

<figure><img src="/files/YB3Pni04I8VxLalm9hz8" alt="Figura 3.11. Tríades e acordes de sétima em posição fechada e aberta."><figcaption><p>Figura 3.11. Tríades e acordes de sétima em posição fechada e aberta.</p></figcaption></figure>

O primeiro exemplo apresenta o acorde de C Maior em posição fechada, ou seja, as notas que perfazem o acorde encontram-se tão próximas quanto possíveis. No segundo exemplo, o mesmo acorde encontra-se em posição aberta, por existir espaço livre entre as notas do acorde para se colocarem mais notas. Os exemplos três e quatro apresentam harmonias fechadas e abertas no acorde de Eb. A sonoridade transmitida também é diferente: nos acordes fechados a harmonia é mais coesa e forte, nos acordes abertos a harmonia é mais solta e leve.

Como visto anteriormente, os acordes são constituídos por três ou mais notas tocadas simultaneamente, encontrando-se estas notas dispostas verticalmente em terceiras. Por exemplo, o acorde de Dó maior é composto \[C, E, G] e este acorde, em termos da sua inversão, encontra-se no Estado Fundamental.

Os acordes podem-se encontrar em diferentes inversões, dependendo da nota do acorde que se encontra no registo mais grave. Existem duas inversões possíveis num acorde composto por três notas:

* Estado fundamental: \[C, E, G], a tónica do acorde encontra-se no baixo.
* Primeira inversão: \[E, G, C], a 3.ª nota do acorde encontra-se no baixo.
* Segunda inversão: \[G, C, E], a 5.ª nota do acorde encontra-se no baixo.

Como será visto em seguida, nos acordes de sétima (4 notas), existem 3 inversões possíveis, exemplo C7:

* Estado fundamental: \[C, E, G, Bb]
* Primeira inversão: \[E, G, Bb, C]
* Segunda inversão: \[G, Bb, C, E]
* Terceira inversão: \[Bb, C, E, G]

Do ponto de vista de inversão, não importa quais as notas que se encontram nas outras vozes, importando apenas a nota que se encontra no registo mais grave. O nome do acorde também permanece inalterado, ou seja., \[C, E, G] é o acorde de Dó Maior e \[E, G, C] é também um acorde de Dó maior (na 1.ª inversão). Embora o nome do acorde se mantenha inalterado, naturalmente que as inversões irão transmitir sonoridades diferentes e irão relacionar-se de outras formas com a harmonia e estética da própria música.

As inversões são um instrumento extremamente importante para uma adequada condução das vozes, ou «voice leading».
