1.8 Ritmo e compassos
O ritmo pode ser considerado como a sequência de movimentos no tempo. Conceptualmente e de modo mais abrangente, podemos separar o ritmo das outras duas entidades que compõem a música: a melodia e a harmonia. Em geral, o conceito de ritmo não deverá estar associado aos conceitos relativos à altura, isto é, notas mais graves ou mais agudas, e do timbre.
O conceito de ritmo, na sua essência, é mais próximo dos conceitos de fórmula de compasso, duração e tempo. Um ritmo pode ser considerado como um padrão específico de ataques no tempo e pode ser produzido por instrumentos de altura indefinida, como, por exemplo, os de percussão, ou definida, como os de cordas. De forma mais lata, o ritmo é o conjunto dessa sequência de ataques e que formam um padrão rítmico. Esses padrões podem estar intimamente ligados a estilos musicais.
A palavra «tempo»
Secção intitulada «A palavra «tempo»»O significado de «tempo», em português, assume diferentes sentidos dependendo do contexto, e é natural que o termo suscite dúvidas aquando o seu uso e significado.
- Em geral, o tempo de uma peça musical é a sua velocidade, ou seja, quão lentamente ou rapidamente esta deve ser interpretada. Pode ser indicada de forma mais lata, como, por exemplo, Larghetto (de 60 a 66 bpm) ou Allegro (de 120 a 156 bpm), ou de modo mais exato, por exemplo, 80 semínimas num minuto. O acrónimo bpm significa «Beats per Minute».
- Pode informar sobre o padrão rítmico de uma peça musical, por exemplo, se o tempo é à semínima, no caso de compassos simples, ou semínima pontuada, no caso de compassos compostos. Em geral, os padrões rítmicos são constantes e caracterizam uma peça na sua tonalidade, mas podem mudar durante o decorrer da mesma.
- Por último, e muito frequentemente, pode significar cada uma das divisões ou subdivisões de um compasso, como, por exemplo, existem quatro tempos num compasso de 4/4.
Barras de compasso
Secção intitulada «Barras de compasso»Define-se por compasso os vários fragmentos da partitura que correspondem a segmentos de tempo cuja duração é indicada pela fórmula de compasso e que se encontram contidos entre duas barras verticais. Embora a palavra compasso seja usada de um modo generalizado em português, em inglês na Europa a palavra mais usada é «bar» e em norte-americano é «measure». Podemos afirmar que «bar» seriam as barras verticais que delimitam os compassos e o «measure» o compasso em si, pelo que um termo eventualmente menos ambíguo seria «bar line». Em todo o caso, na prática os termos são usados indistintamente. Existem inúmeras barras de compasso com inúmeros objetivos diferentes. Todas as barras de compasso, independentemente dos seus símbolos, delimitam os compassos, mas algumas têm funções adicionais. As próximas figuras apresentam as mais comuns:
O exemplo da figura anterior apresenta três barras de compasso diferentes, sendo que a barra mais à esquerda é uma barra simples e as outras duas são barras duplas. A barra do exemplo número 1 é uma barra simples e a sua única função é delimitar os compassos. O exemplo número 2 apresenta uma barra dupla cuja função adicional é a de indicar uma mudança de movimento ou o início de uma nova secção numa peça musical. O exemplo 3 apresenta uma barra final, composta por uma barra mais fina à esquerda e uma mais grossa à direita, cujo objetivo é indicar o fim de uma peça musical.
As três barras de compasso do exemplo anterior são denominadas barras de repetição. A barra do exemplo 4 indica que os compassos que se encontram à sua direita devem ser repetidos uma vez, até se encontrar a barra do exemplo 5. Quando a barra do exemplo 5 é alcançada, a peça deve ser repetida desde a barra do exemplo 4, continuando até existirem barras com outras funções. A barra de repetição do exemplo 5 junta num único símbolo as barras dos exemplos 4 e 6.
Os exemplos da figura anterior estendem o conceito de barra de repetição e incluem a indicação de duas casas: a casa 1, que vai desde o compasso número 3 até ao compasso número 4 (inclusive) e a casa 2 que ocupa apenas o compasso número 5. A casa 1 é tocada uma vez aquando a primeira passagem, mas saltada aquando a primeira repetição, que deve saltar do compasso número 2 imediatamente para a casa 2 no 5.º compasso. A peça deverá ser tocada do seguinte modo:
- [C, C, C], [G, G, G], [E, E, E], [D, D, D] (repete desde o compasso 2), [G, G, G] (salta a casa 1 para a casa dois), [C, C, C] e termina.
Teoria Musical, um projeto de Marco Ferra
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