3.8 Dominantes secundárias
Vimos que o quinto grau, a dominante, é o que estabelece o movimento mais forte para a tónica. Esse movimento deve a sua força ao trítono que se forma entre os graus 4 e 7 da escala, e à proximidade de meio-tom entre a sensível e a tónica.
Ora, esta relação não tem de estar reservada à tónica da peça. Qualquer grau da escala pode, momentaneamente, ser tratado como se fosse ele próprio uma tónica, bastando para isso ser precedido pelo acorde que funciona como sua dominante. A esse acorde chama-se dominante secundária, e lê-se «V de», indicando-se com uma barra: V/ii lê-se «cinco de dois».
Como a dominante é sempre um acorde maior com sétima menor, construir uma dominante secundária implica quase sempre introduzir notas que não pertencem à tonalidade. São essas alterações que dão a estes acordes a sua cor característica, e que tornam a chegada ao grau seguinte mais inevitável do que seria de outro modo.
Ouvindo a figura, é a resolução que se reconhece: cada acorde alterado puxa para o grau seguinte, e é esse par — dominante secundária e chegada — que constitui a tonicização. Isolado, qualquer destes acordes seria apenas uma sétima da dominante.
Repare-se que não existe dominante secundária do sétimo grau nas escalas maiores: sendo a tríade desse grau diminuta, não funciona como tónica, ainda que provisória, e por isso não é tomada como centro, nem sequer momentaneamente.
O uso de dominantes secundárias é uma das formas mais económicas de enriquecer uma harmonia diatónica sem sair da tonalidade. A peça continua em Dó Maior; apenas se detém, por um compasso, a olhar para um dos seus próprios graus.
Teoria Musical, um projeto de Marco Ferra
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