3.3 Escalas
Uma escala é um conjunto de notas dispostas ordenadamente da mais grave à mais aguda, de modo ascendente, ou da mais aguda para a mais grave, de modo descendente. Cada uma das notas que pertence a uma determinada escala musical deverá ocorrer apenas uma vez, ou seja, o seu nome deve ser único na escala. Por exemplo, a escala de Dó Maior composta através das notas [C D E F G A B C] não deve ser escrita com as notas [C D E E# G A Cb C], ainda que, devido à enarmonia, as notas correspondam às mesmas alturas musicais.
Como visto anteriormente, na música tonal ocidental o total de notas disponíveis encontra-se definido na escala cromática. Esta é uma escala onde cada uma das suas notas se encontra distanciada em ½ tom relativamente às suas adjacentes, totalizando doze notas diferentes.
Relativamente à estrutura da música tonal, deve ser introduzido o conceito de escala diatónica. Esta escala apresenta uma estrutura interna onde existem dois meios-tons e cinco tons, e que correspondem visualmente às teclas brancas de um piano. Notas que pertencem à escala diatónica são aquelas que se encontram presentes na tonalidade, ou no respetivo modo, em questão. Uma expressão anglo-saxónica curta para pensar em «diatónico» é «in the key of», ou seja, na tonalidade de.
Escala maior
Secção intitulada «Escala maior»Se considerarmos a escala de Dó Maior, que é uma escala diatónica por conter dois meios-tons e cinco tons, esta apresenta a seguinte estrutura interna de intervalos:
Qualquer escala construída a partir de qualquer das doze notas que apresente a mesma sequência interna de tons e meios-tons será uma escala maior. Em todas as escalas maiores as notas distam das suas adjacentes em 1 tom inteiro, exceto do 3.º para o 4.º grau e do 7.º para o 8.º grau (ou seja, uma oitava acima) em que distam em ½ tom.
Conforme mencionado no capítulo sobre armações de clave, encontram-se convencionadas quinze armações de claves: sete construídas com sustenidos, sete construídas com bemóis e uma armação de clave adicional sem quaisquer alterações. As armações de clave existem, justamente, para estabelecerem esta relação interna de tons e meios-tons relativamente às notas da escala.
Se for pretendido construir uma escala maior a partir de [G] é necessário que internamente a sequência de tons e meios-tons se mantenha. Para a sequência se manter, a altura da nota [F] terá de subir em ½ tom, passando a ser um [F#], construindo-se a armação de clave com um sustenido. Esta alteração fez com que os dois meios-tons existentes na escala continuassem do 3.º para o 4.º grau e do 7.º para o 8.º grau.
De modo similar, para construir uma escala maior a partir de [F] é necessário manter a sequência interna de tons e meios-tons. Para a sequência se manter, a altura da nota [B] terá de baixar em ½ tom, passando a ser um [Bb], construindo-se a armação de clave com um bemol.
Se forem construídas escalas maiores a partir de cada uma das notas disponíveis, terá de se proceder às alterações necessárias de modo a que a sequência de tons e meios-tons se mantenha. Este é o motivo pelo qual existem as armações de clave.
Exemplo noutra tonalidade maior, como, por exemplo, Eb Maior:
É a sequência específica de tons e meios-tons que lhes confere uma determinada sonoridade e sensação auditiva, e existem inúmeras combinações possíveis.
Escala relativa menor
Secção intitulada «Escala relativa menor»O sistema tonal ocidental clássico apresenta duas escalas fundamentais na música: a escala maior e a sua relativa menor. Estas são consideradas escalas fundamentais, pois são aquelas que permitem, convencionalmente, harmonias mais ricas. As escalas menores são construídas a partir do 6.º grau da escala maior. Podemos pensar no 6.º grau como estando a 9 meios-tons da tónica, se contarmos as distâncias de modo ascendente, ou a 3 meios-tons da tónica, se contarmos de modo descendente.
Como exemplo, se for construída uma escala usando as mesmas notas da escala de Dó Maior, mas começando no 6.º grau, obter-se-á a escala de [A] menor:
Esta nova escala apresenta, relativamente à escala maior, uma sequência interna diferente de tons e meios-tons: T-s-T-T-s-T-T. Todas as escalas menores são relativas menores (de uma escala maior) e são sempre construídas no 6.º grau da sua respetiva relativa maior, apresentando sempre a mesma sequência interna de intervalos. Consequentemente, todas as escalas maiores são também relativas maiores e são obtidas a partir do 3.º grau da respetiva escala menor. Em conjunto:
Como as escalas menores partilham as mesmas notas da sua relativa maior, estas apresentam a mesma armação de clave. Como exemplo, a relativa menor de Eb Maior é C menor e a armação de clave de ambas as tonalidades, Eb Maior e C menor, é composta por [Bb, Eb, Ab].
Escala paralela menor
Secção intitulada «Escala paralela menor»Denominam-se de escalas paralelas às escalas musicais maiores e menores que partilham a mesma tónica. Por exemplo, a escala de C Maior e C menor são escalas paralelas, assim como D Maior e D menor. Exemplo:
As escalas paralelas não partilham a mesma armação de clave.
Teoria Musical, um projeto de Marco Ferra
Código sob MITTexto, partituras e gravações sob CC BY-SA 4.02017–2026