Saltar para o conteúdo

2.2 Altura definida e indefinida

Como visto anteriormente, o piano é um instrumento musical que produz sons de altura definida, ou seja, é possível produzir, de forma inequívoca, notas específicas com este instrumento, sendo que, como já visto, em cada uma dessas notas existem outras notas de menor intensidade, em diferentes frequências, que caracterizam a assinatura acústica de um piano. Outras frequências, com outras combinações de amplitudes, irão conferir outra assinatura à nota A4, e esse timbre irá ser associado a um outro instrumento musical.

Em contraste com os instrumentos musicais de altura definida, os de altura indefinida, como por exemplo a maior parte dos de percussão, não produzem nenhuma nota musical em particular.

2026-09-03T23:28:38.817336 image/svg+xml Matplotlib v3.11.1, https://matplotlib.org/ 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 Tempo decorrido (segundos) −70 −60 −50 −40 −30 −20 −10 0 Amplitude (dB) Prato chinês Decaimento no tempo 0.25–0.5 kHz 0.5–1 kHz 1–2 kHz 2–4 kHz 4–8 kHz 8–16 kHz 0 2 4 6 8 10 12 Frequência (kHz) −80 −60 −40 −20 0 Amplitude (dB) Resposta em frequência

Figura 2.2.1. Decaimento e resposta em frequência de um prato chinês. Em cima, a amplitude por bandas de frequência ao longo do tempo; em baixo, o espetro completo. Ao contrário do piano, não existem picos destacados: a energia distribui-se por todo o espetro.AAC · MP3

Relativamente a este instrumento, é possível verificar que não existem picos e, consequentemente, não existem frequências específicas cujas amplitudes sejam predominantes relativamente às restantes. No gráfico de cima nota-se ainda uma segunda diferença: enquanto no piano cada harmónico decai ao seu próprio ritmo, separando-se dos restantes, aqui todas as bandas de frequência decaem praticamente juntas. Não há nenhuma que o instrumento privilegie. A diferença é mensurável: na mesma análise, e acima do mesmo limiar, o A4 do piano apresenta cerca de uma dúzia de picos destacados, enquanto o prato apresenta várias centenas, demasiado próximos entre si para que o ouvido consiga isolar qualquer um deles. Onde o piano tem uma série harmónica, o prato tem um contínuo.

Desse modo, verificamos graficamente que este instrumento não produz nem notas definidas nem outras notas que estejam relacionadas entre si. No entanto, é efetivamente esta assinatura em termos de frequência que confere o som característico do prato, necessário para completar a paleta de sonoridades disponível para a arte da música.

É também por esta razão que a notação musical trata estes instrumentos de forma diferente: como não há altura a representar, usa-se a clave de percussão e uma pauta rítmica, onde a posição vertical identifica o instrumento e não a nota, conforme se viu no capítulo sobre claves.

Teoria Musical, um projeto de Marco Ferra

Código sob MITTexto, partituras e gravações sob CC BY-SA 4.02017–2026